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Professor Gerson
 


Cora Coralina

Cora Coralina

Uma autodidata que escreveu seu primeiro livro aos 76 anos.

Dedico esta poesia aos meus alunos formandos do curso de EJA ( Educação de Jovens e Adultos). Quero deixar o registro de que foi um prazer ser o professor escolhido para paraninfo da turma. Meus agradecimentos.

 

O autêntico sabe que jamais

chegará ao Prêmio Nobel.

O medíocre se acredita sempre perto dele.

Alguns vêm a mim.

Querem a palavra, o incentivo, a apreciação.

Que dizer a um jovem ansioso na sede precoce de

lançar um livro...

Tão pobre ainda a sua bagagem cultural,

tão restrito seu vocabulário,

enxugando lágrimas que não chorou,

dores que não sentiu,

sofrimentos imaginários que não experimentou.

Falam exaltados de fome e saudades, tão desgastadas

de tantos passados.

Primário nos rudimentos de sua escrita

e aquela pressa moça de subir.

Alcançar estatura de poeta, publicar um livro.

Oriento para a leitura, reescrever,

processar seus dados concretos,

Não fechar o caminho, não negar possibilidades.

( Trecho de " O Poeta e a Poesia")

 

Caro aluno,

                  Naqueles momentos em que você não souber exatamente o que dizer, onde as idéias teimam em não vir, tenha sempre ao lado um livro de Cora Coralina.

                  Uma poetisa que escrevia com simplicidade e  nos deu uma lição de talento, de humildade e de sabedoria, apesar de seus dois anos de escolaridade!

                  Felicidades e nunca neguem possibilidades!

 

Caros amigos leitores:

          

Peço desculpas por minha ausência no espaço. Motivo: muito trabalho de escola. E agora meu discurso para a formatura. Não vai ser difícil não.

Já me inspirei no texto acima de Cora Coralina. Nem surpresa fiz.

Abraços e até breve.



Escrito por geppi às 17h04
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As Entrelinhas

As Entrelinhas

" Não têm pessoas que cosem para fora? Eu coso para dentro". Assim Clarice Lispector respondia àqueles que perguntavam sobre sua vida.

Clarice não gostava de dar entrevistas, de falar de si, Clarice escrevia a seu respeito. Era uma mulher simples e um pouquinho sofisticada. Uma mistura de camponesa e de estrela no céu.

Nascida na Ucrânia, fez da língua portuguesa a sua vida interior, o seu pensamento mais íntimo. Nasceu para amar os outros, para escrever e para criar seus filhos. Clarice sentia-se livre somente quando escrevia e fazia das palavras uma forma de domínio do mundo.

Escrevia porque sentia dor e não escrevia para sentir mais dor. Amava e odiava o mundo!

Clarice era uma mulher perdida. No tempo e no espaço.

Ler Clarice é penetrar nesse âmbito elétrico, confuso. É sentir-se incomodado. Mas o melhor de Clarice sempre está nas entrelinhas...

Escrevi um pouco sobre Clarice depois que reli " A Hora da Estrela", e senti uma certa angústia ao perceber que da minha biblioteca não faz mais parte a "Cidade Sitiada" de 1949.

Quem será que é mais apaixonado por Clarice do que eu? O pedreiro que veio consertar a pia do banheiro aqui de casa, o entregador de pizza ou o Manuel que até hoje não me devolveu o "Budapeste" do Chico?!

Sempre desconfiei de pessoas que passam os finais de semana lendo Nietzsche...

Portanto, se Clarice analisa em suas obras as angústias do indivíduo e seus dramas existenciais, nada mais justo que nesta crise/desabafo eu me sinta como aquele personagem do conto " O Crime do professor de matemática"!

A concluir...

 



Escrito por geppi às 00h04
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Ditado Neles!

Ditado Neles!

A imprensa noticiou que sete pré-candidatos a vereador de Rio Grande da Serra, cidade do ABC Paulista, tiveram suas candidaturas indeferidas porque foram reprovados em um ditado.

O juiz eleitoral Gustavo Romero Fernandes pediu que os candidatos reproduzissem o seguinte trecho:

" A propaganda eleitoral começou no dia 6 de julho. No entanto, o candidato só poderá ter gasto eleitoral quando tiver o seu CNPJ".

Eles também tiveram de ler parte da lei orgânica do município além de uma reportagem de jornal.

Senhor juiz, parabéns!

 

" Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende".

                                            ( Leonardo da Vinci)

 



Escrito por geppi às 00h03
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Misael, o barítono

Misael, o barítono

O Theatro São Pedro ( localizado na Barra Funda), fundado em 1858 quando a cidade contava com 20.000 habitantes, apresentou na semana passada a ópera Gianni Schicchi de Giacomo Puccini.

Sabemos que Dante Alighieri, o autor da Divina Comédia, colocou os seus inimigos políticos e pessoais no Inferno.

Entre os desafetos do poeta estava Gianni Schicchi que teria falsificado o testamento de um membro da família de Dante, deixando a maior parte dos bens do falecido para a família Schicchi.

O objetivo da ópera é provar que Gianni Schicchi não merecia ir para o inferno. É uma ópera cômica.

Soube deste espetáculo por intermédio de um ex-aluno que me procurou por toda a cidade para dizer que ele fazia parte da peça.

Para minha surpresa e orgulho, Misael dos Santos ( o personagem Marco) era o barítono. Ou baixo barítono, como disse.

Misael foi o aluno heteróclito. Sempre quis ser o personagem principal nas peças de teatro que eram apresentadas na escola. E fazia a diferença!

Morador da periferia, aluno de escola pública, quem diria, rapidinho foi à Itália.Estudou Canto Lírico, voltou a São Paulo e se apresentou no Teatro Municipal na peça "O Fantasma da Ópera".

Retornou à Itália, aperfeiçoou-se e agora voltou a estremecer o "São Pedro".

Misael tem uma memória fotográfica, lembrou-se de detalhes do meu jeito de escrever e da forma como carregava os gizes e apagador.

Como lhe prometi, Misael,  nesta "blônica" registro meu carinho e agradecimento pela emoção que você me proporcionou.

Continue sempre assim, brilhando nos palcos e em nossas vidas.

E, desculpe-me por aquele "X" feito a giz na sua pequenina mão!

 


 



Escrito por geppi às 00h03
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Dia Nacional do Livro

Dia Nacional do Livro

Hoje é o Dia do Livro. " Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas. As pessoas mudam o mundo".

Estas palavras são do poeta Mário Quintana. Na essência é o sonho de construção de uma sociedade ideal.

Os livros têm sido, ao longo da vida, o caminho para se lidar com assuntos variados. Têm sido lições  de vida.

A partir do livro, a sociedade se modifica e o mundo tende a melhorar. O bom livro é capaz de mudar a vida de quem o lê.

É o livro que encanta os alunos ao aprenderem ensinamentos morais através das fábulas de Esopo que levam a muitas discussões sobre ética.

Em "Manifesto Verde" ,de Ignácio de Loyola Brandão, tomamos conhecimento de nosso planeta. Vai transformar-se num deserto frio e seco?

Nas " 12 Faces do Preconceito" ,de Jaime Pinsky, vemos o retrato da discriminação de gordas, baixas, homossexuais e deficientes.

Uma mulher fútil chamada Marina se deixa seduzir sem dificuldades. Onde está esta história? No romance "Angústia", de Graciliano Ramos.

E a admiração de Jorge Amado pelos vagabundos?  "Capitães de Areia".

As fadas não são mais as mesmas! Confira no livro "Fadas, Pizzas e Saladas" de Regina Carvalho.

Com o livro , deslumbramo-nos com o naufrágio de Robinson Crusoé na chegada à ilha deserta onde enfrenta a solidão.

Na leitura, nossa solidão não se compara à de Robinson Crusoé!

Tudo isso é uma boa razão para comemorar o Dia Nacional do Livro.

 

 

 



Escrito por geppi às 15h01
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A escola vai ao cinema

A Escola vai ao Cinema

Nossa escola, como de hábito, mais uma vez vai às ruas. Quando digo rua, quero mesmo falar de um lugar diferente em que não há carteiras, lousa e professor em pé ( muitos ainda continuam sentados).

Na próxima segunda-feira ( ponto facultativo que foi "puxado") é o dia da pipoca. Acredito que vai ser mesmo uma segunda imperdível. Sair com alunos é prazeroso. Fiquei sabendo de alunos que nunca foram ao cinema. Uma aluna me disse que sempre associou cinema à gente culta e elegante.

Discordei, claro. O Maciel, um dos porteiros do meu prédio, adora cinema, e usa bermudão, sapato de amarrar e pasmem! Meias Pretas. A Neusa, uma dândi, vai pouco ao cinema.  Vive lendo e relendo Guimarães Rosa.  E faz beicinho quando  um livro vira filme!

Falei da pipoca, mas cinema é mesmo um pêssego. Tem calda, açúcar e é amarelo. Acredito que o Donizeti ( professor de História) não aceite essa associação com fruta, ele vai encher o peito, lágrimas descerão e vai dizer: Cinema é a subversão de uma ordem vigente que  está acima de qualquer texto escrito. E vai associar cinema com emoções irracionais.

Acredito que ele esteja correto na associação. Só um louco vai pensar em pêssego quando vai ao cinema.

Pretendia ir ao cinema com os alunos, mas um colega me chamou a atenção só porque moro perto do cinema. Ele  disse que minha atitude era muito feia! Combinei com os colegas que sairia da minha casa e não iria de ônibus! E isso, ele chama de feio!

O que é uma atitude feia?  Refleti muito e acredito que o professor tenha uma certa dificuldade em conceituar a palavra "feia", embora seja um rapaz muito inteligente.

O que seria um professor feio? Peço licença à leitora Yra doce ( que tem sempre paciência de ler as "coisas " que escrevo) para usar algumas palavras que respondi a ela no comentário de ontem.

Nas escolas públicas é muito grande o número de professores feios. Muitos são camaleões quando lecionam também em escolas particulares, num instante eles se transformam em Gianechinis.

Professor é feio quando chega atrasado, sai antes da hora , usa vocabulário de baixo nivel, faz da lousa ou caderno seu apoio intelectual ,  confunde ética com estética, odeia ler, detesta escrever, idiotiza alunos, confunde o infinitivo do verbo educar com o in-finito da sua vida e crê que etiqueta é apenas uma grife.

Os professores feios nunca estão sozinhos, sempre encontram acolhida em uma escola também feia.

Diante da feiúra exposta, só mesmo um passeio, amanhã,  no Parque do Ibirapuera. Lá sei que vou encontrar um lago, um pato e um fato.

A Deus, nossas súplicas para que os professores feios não contaminem o meio.

Esqueci-me de dizer que os alunos da EJA ( Educação de Jovens e Adultos) que irão ao cinema, têm uma tarefa. Quero que eles escrevam sobre o filme , o passeio e publiquem os textos nos seus blogs.

Cinema não é só diversão... 



Escrito por geppi às 01h21
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Projeto de Vida

Projeto de Vida

No mundo competitivo e globalizado de hoje é necessário sabermos para onde e como queremos ir e, principalmente , de que forma queremos chegar até o lugar desejado.

Um projeto, bem elaborado, é embasado na física quântica, mas mesmo não entendendo de neurociência, nosso projeto deve ter estes três elementos: vontade, amor e perseverança.

Vivemos numa sociedade em que poucos deslumbram o futuro. O presente é tão sacramentado que o futuro se perde no vazio.

Vejo adolescentes que por falta de um projeto de vida, projetam nos outros sua falsa realização. Acreditam tanto nas pessoas que se entregam como se gente fosse brinquedo! E como se todos os brinquedos fossem inquebráveis.

Na falta de  um projeto , os namoros e a gravidez passam a ser o projeto de vida. Nas escolas, conhecemos meninas com 12 anos de idade que já "possuíram" quatro ou cinco namorados.  Não brincaram . Nem sonharam. Apenas viveram as vidas das personagens das novelas!

Acredito que os maiores investidores no resgate do adolescente de sua miséria espiritual, moral e intelectual devem ser os pais. Ao Governo e às escolas o papel de fomentar programas em que o adolescente seja o protagonista. Projetos com a finalidade de resgatar a auto-estima dos alunos.

Quantas Eloás temos nas escolas! E quantos Lindembergs fazendo de um projeto de vida o seu projétil!

 



Escrito por geppi às 00h08
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Ao valoroso Professorado

Ao Valoroso Professorado

Escrevo para agradecer àquelas que me proporcionaram, na infância, o encontro com o mundo das palavras. À minha saudosa mãe que, além das inúmeras habilidades que possuía, me mostrou o poder da palavra sensibilidade.

Era tão carinhosa com meus livros didáticos que os encapava com um tecido grosso, azul escuro, e bordava em branco meu nome. Os livros eram caros e as capas podiam ser reaproveitadas. Assim, aprendi que livro tinha um certo mistério, encanto mesmo.

Nesta época, todos "rezavam na mesma cartilha" de Benedicta Stahl Sodré ( a Coleção Sodré) da Companhia Editora Nacional. Eram livros com historinhas engraçadas e cativavam as crianças, sempre tinha suspense! Falavam sobre a importância da família, das aves, aparelho digestivo, abolição dos escravos, das cores das bandeiras e adaptações de clássicos da literatura.

Lembro-me de um poema do professor Sólon Borges dos Reis que tinha o título "O Hino Nacional". " ...Brasileiro, ouve a música sagrada que te evoca a grandeza da Pátria!..." Os livros traziam muitos poemas com as recomendações: "para dramatização" e "para decorar". Um poema que me deixou marcas, não pelo conteúdo, mas pelo trabalho que deu, foi de Rangel Pestana " A Liberdade".

"...Assim, ó! Nunca arranques, menino, ao pátrio ninho, para prendê-lo em grade dourada, o passarinho...". O trabalho foi passar o poema para texto em prosa.

Nunca quis ir à escola, tinha vergonha por não saber escrever ( e alguém na minha idade sabia?!). A escola representava um templo, não só pela arquitetura mas por ser um local de aquisição de saberes. Este templo, hoje, não é mais a minha escola, mas é uma continuidade dela. Funciona no mesmo prédio a Biblioteca Pública.

Minha professora do primeiro ano, "dona" Naide Polo Worschek, falecida,  me cativou não só por sua beleza com uma pele de pêssego, mas pela pedagogia do ensinar brincando. Como não sabia escrever (!), oferecia-me lápis das mais diversas cores para eu construir meus navios, céus, casinhas e carinhas. Não demorou muito para eu nomear todos os navios, até os de guerra.

No segundo ano, mais austera era a "dona" Cláudia Queiroz, às vezes fazia o apagador sobrevoar nossas pequeninas cabeças. Era uma professora dedicada.Olhava todas as lições de casa e assinava-as com uma caneta-tinteiro dourada.

No terceiro ano, Jandira Pântano Basseto, parecia que estava sempre brava. Ensinava com tanta paixão que parecia que ia viver pouco. E viveu mesmo. No quarto ano, prefiro não citar o nome da professora, levei muitos tapas no rosto e beliscões daquelas unhas muito afiadas e pintadas de vermelho.

Ficava de castigo, bochechas vermelhas, só porque não sabia resolver aqueles malditos problemas das caixas d´água que sempre tinham uma torneira fechada e a outra meio aberta. As torneiras eram mais importantes do que a minha dor! Chorava mais que elas...

Até hoje detesto ver torneiras pingando.

As mães não reclamavam, as professoras eram muito respeitadas e minha avó sempre dizia que elas eram uma segunda mãe!

A Coleção Sodré  e minhas  professoras me despertaram para uma aventura. Fiz tanta aventura com palavras que escrevi, há alguns anos, uma dissertação sobre um  livro que nunca li. Tirei "9". Fiz besteira com o título! As palavras têm uma certa magia que sabendo usá-las você consegue transformar uma bomba em uma flor amarela.

Do livro da Sodré decorava todos os provérbios que apareciam no final de cada lição:" Não ponha cigarro à boca, se é de fato inteligente. Ele contém nicotina que envenena lentamente".

Não havia Tv, ficamos livres das Xuxas, o tempo demorava a passar e a escola era levada a sério pelos professores, pais e alunos. Até o Governo valorizava as professoras!

Chegávamos ao quarto ano lendo todo o jornal da cidade, da necrologia aos proclamas.

Agora, tudo é muito diferente, as famílias mudaram, o tempo ficou mais curto e a violência não respeita os templos sagrados. Professor tem que ser mágico, tira da cartola o remédio indicado para uma doença que geralmente não tem cura. O salário, oras...

Caro colega, apesar da cartola, do salário e da exaustão, como seremos lembrados por nossos alunos?

Que na nossa história ninguém omita nosso nome!

 

 

Em tempo: Agradeço aos alunos da EJA ( Educação de Jovens e Adultos) pela homenagem aos professores. Que festa! Vi lágrimas rolando...



Escrito por geppi às 00h10
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Dia do Professor

Aprendizado

( Encarte do Jornal da APEOESP)

 

Não fossem suas grandes mãos

sobre as minhas, pequeninas,

dirigindo-as num traçado de ondas,

de círculos, de montanhas,

introduzindo-me no mundo das letras,

estaria hoje na penumbra

da caverna de Platão.

 

Não fosse sua paciência de

ensinar-me a somar, a dividir

e a multiplicar os pães,

viveria escondido no

buraco do egoísmo.

 

Não fosse sua insistência

em ensinar-me a fonética,

a sintaxe, não teria descoberto

o fantástico mundo de Lobato,

de Guimarães Rosa, de

Graciliano, de Drummond,

de Mário de Andrade, de Oswald.

 

Não fosse sua presença

em minha vida,

meu viver seria a

desesperança, não teria a

coragem de gritar

nas ruas e praças

do nosso País varonil.

 

 

                                Liberdade,

 

                                                       Liberdade,

 

                                                                         Liberdade!

 

               

 

 



Escrito por geppi às 00h04
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Infância Maltratada

Infância Maltratada

 

Andando pela rua a criança pede.

Na mesma rua a moça oferece

Aquela  mercadoria de todo o dia.

 

Um carro que passa não repara

Na moça, na criança...

Mas pára.

 

O homem observa,

Procura comprar o mais barato:

O corpo ou a bala.

 

A bala mata o homem.

A moça foge.

A criança chora.

 

A Lua ilumina

As sirenes

Do crime

 

Naquela  rua

Tão famosa

Com sangue no bar.

 

Adormece a cidade

No silêncio

Da morte do homem.

 

Vira a noite e outra criança

Oferece a bala

À moça que era tão bela!

 

Leis vazias enchendo

a rua de brinquedos

esquecidos.

 

( Texto escrito após assistir ao debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo)



Escrito por geppi às 00h12
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Somas e Subtrações

Somas e Subtrações

Olhou o espelho e não gostou do que viu: rosto cansado, olheiras, algumas rugas e fios de cabelos brancos.

Tirou a roupa.

Chegando no quarto, mirou-se mais uma vez no espelho do guarda-roupa e pôde ver um corpo caído e sem brilho.

Caminhou até a sala, acendeu um cigarro, abriu uma lata de cerveja e colocou uma música antiga de Billy Hollyday.

A música contagiou o ambiente e em meio à fumaça quis dançar mas estava só e não achava graça em dançar nua e só.

Sentou-se no sofá com as pernas estendidas e começou a acompanhar a música com uma voz rouca e desafinada. Seu olhar se perdia naquele minúsculo apartamento em Campos Elíseos.

Pensou na vida que levava, nos seus medos, angústias, amores desfeitos, no futuro, no passado...

Lembrou-se da família que havia deixado no interior, quis ligar mas desistiu. Pensou nos poucos amigos, mas logo esqueceu.

Resignou-se a ficar assim mais uma noite. Depois de tantas...

Cogitou a possibilidade de sair, andar à toa , quem sabe um barzinho e outra vez desistiu.

Passou as mãos pelo rosto, colo, seios e nádegas. Sentiu-se viva. Ficou feliz e riu histericamente.

Estava sozinha havia tempos, apenas amores fugazes.

Abriu mais uma cerveja, acendeu outro cigarro e deixou que seus pensamentos a levassem. Suas lembranças jaziam no noivo que um dia tivera, no interior, o primeiro a tocar seu corpo e deixá-lo em brasa.

Ele era meigo, afetuoso, inteligente, sincero e assim foi que ela cedeu com tanta voluptuosidade e amor que não se preocupou com nada naquele momento. Era, apenas, feliz.

A vida trabalhou para que cada um seguisse seu caminho.

Agora estava ali, infeliz, sozinha e atormentada.

Gostaria de saber onde havia errado. Não achava resposta plausível, mas sentia muita saudade...

Uma lágrima desceu pela face. Depois outra, mais outras sobre seu corpo nu jogado no sofá.

Nos primeiros raios do dia, encontrava-se fatigada.

Apanhou a toalha e foi enxugar-se no quarto.

 



Escrito por geppi às 00h20
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Vencido pelo Sono

Vencido pelo Sono

Falar de sono é falar de saúde. A insônia não deve ser nada agradável para quem precisa do dia seguinte para sobreviver.

Considero-me um insone paradoxal, não que a insônia me faça bem, mas quando a tenho, faço dela minha companhia para meditar, escrever, ler e assim minha irritação provocada por ela fica em terceiro plano. Também nunca pensei em blogcídio!

Numa das insônias, procurei a Bíblia e no final do livro vi uma parte denominada " chave bíblica". Corri com o dedo na palavra sono e aprendi, na minha insônia,  que o excesso de sono pode ser prejudicial. Como?

A Bíblia diz que Êutico era um jovem que caiu do terceiro andar e foi dado como morto por ser dominado pelo sono.

Em outro livro li sobre Saul que pediu ao rei para ser morto pois sentia vencido de cãibra.

Cheguei à seguinte conclusão: às vezes somos vencidos pelo sono, pela bebida alcoólica, pela droga, por um temperamento difícil, pela ira, pelo ódio, autoritarismo, inveja, preconceito, etc.  Nada disso é confortável nem salutar.

Ser vencido gera tristeza, remorso, desânimo, vergonha, confusão e culpa.

Essas fragilidades devem ser vencidas. Cada um tem que vencer o seu sono, a sua cãibra, a sua ignorância e amargura.

Devemos aprender a dizer não a nós mesmos. Não existe vitória sem remissão, disciplina e perseverança.

Temos de ceder e procurar viver com vitórias, apesar de nosso inglorius mundo.

Se mudei meu jeito de escrever , não digo que a vilã foi a insônia, é muito cedo para o sono. Há pessoas que  escrevem antes da insônia,  as precavidas; outras, durante; eu apenas abuso da insônia para descrever um sonho.



Escrito por geppi às 00h08
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Formando Homens

Formando Homens

 

Frases que martelam nossas cabeças:

 

- A Educação está um caos.

- Há muitos professores despreparados.

- Os alunos estão muito violentos.

- Professores mal remunerados.

- Os alunos não sabem escrever.

- As escolas públicas estão  em péssimo estado de conservação.

- Não são oferecidos cursos de aperfeiçoamento aos professores.

- A "droga" invadiu as escolas.

- Professores trabalhando em quatro escolas.

- Desviaram verbas destinadas ao ensino básico.

  Enfim, parece que a qualidade perdeu a validade.

Uma dica:

- Melhore a qualidade do ensino fazendo seu voto ser de qualidade! Dividir responsabilidades é um bom exercício de cidadania.

  Como disse Coelho Neto, "educar é colaborar com Deus".

 

Site obrigatório para aqueles que acreditam que a Educação pode mudar o país:

 

      www.todospelaeducacao.org.br



Escrito por geppi às 00h53
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Endecha

Endecha

Durante a aula, ouço do aluno Mailson, da 8ª série, a palavra endecha. Neste momento, apenas ri e olhei para a janela.

Em questão de segundos, a palavra atravessou como espada meu pensamento e me lembrei de " As Endechas a Bárbara Escrava" de Camões. Mailson havia feito uma endecha! Foi o que ele me disse.

Endecha é uma composição poética sobre assunto melancólico, formada de estâncias de quatro versos de cinco sílabas. É uma variedade de canção fúnebre portuguesa do século XVI.

Se não fosse o Mailson, hoje estaria publicando minha endecha, não conseguiria escrever nada alegre com esta melancolia que me acompanha há dias.

Prefiro a endecha do Mailson a  expressar, neste espaço, meu insofrimento.

O Mailson não seguiu a métrica exigida neste de tipo de poesia. E tristeza se mede? Como escandir versos  de cinco sílabas se a dor tem apenas três letras!

Mailson é aluno da EJA ( Educação de Jovens e Adultos) e trabalhava como torneiro mecânico, no momento está desempregado. Deve ter 20 anos.

 

 

Depressão

Labirintos negros, pensamentos sombrios,

a lágrima deslizante na face obscura,

mostrando a si mesmo o caos da vida.

Esmaicer na tristeza, que esfacela a alma.

Se procuro uma explicação me deparo com o vazio.

Meu jardim inferior aos poucos vai fenecendo,

tento engrupir a mim mesmo para enguiçar a minha angústia.

Angústia esta que tenta me entenebrecer com

verdades insanas, que corroem a minha carne e

tentam subornar a minha alma.

A morte se mostra iminente, tentando imperar no trono

da vida, dando início a batalha espiritual, deteriorando e embaraçando

as sensações e os pensamentos.

O que já foi normal sofre  uma intensa mutação

que às vezes deixa seqüelas e lembranças amargas,

amargo esse, contido na mente humana e presente nos sabores da vida!

 

Caro Mailson, obrigado por este momento de paz ! Quando pensamos que não vamos mais suportar os dissabores de nossa profissão, aparece uma luz, você!

 

 



Escrito por geppi às 00h46
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Revolução das Palavras

A Revolução das Palavras

 

O mundo da tecnologia e da informática cresce a cada ano e deixa marcas na língua-pátria.

Adotar ou não o estrangeirismo? Há pessoas que preferem abrasileirar os termos e outras defendem a incorporação da língua inglesa /francesa.

Como é estranho escrever software. Logiciário ( que vem do francês) ficaria melhor? Os franceses não aceitam estrangeirismos.

No futebol, o goleiro era goal keeper, centroavante, center forward e zagueiro,back.

No final, tudo isso me causa stress, pode até ser chiq como alguns bibelots ou abat-jour adquirido no shopping West Plaza.

Preciso, diante disso, é de um relax, não digo em boite tomando cognac, mas jogando ping pong com meu amigo Wellington que freqüenta o jockey. Na Tv, quando não é voley é foot-bal.

Help! Preciso de um check-up!



Escrito por geppi às 00h26
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As Eleições e o Leite

As Eleições e o Leite

O sábado que passou foi o Sábado Feliz! Mesmo com a chuva e o friozinho de fazer os cachecóis saírem do armário, as escolas municipais de Sampa fizeram a entrega das latas de leite aos alunos.

 Muitas pessoas envolvidas nesse afã, principalmente os professores. Foi um sábado de reposição de aulas em virtude  das eleições em outubro. Nas eleições, as escolas transformam-se em zonas ( eleitorais) e consequëntemente o professor é obrigado a trabalhar aos sábados para cumprir os dias letivos ( quantidade versus qualidade, sempre!).

Este sábado feliz teve um quê de propaganda política, nada ostensivo, mas acredito que o senhor Prefeito tenha ficado muito feliz mesmo. Não posso afirmar que os professores estavam contentes, também não vi nenhum chorar. As lágrimas descem mais no final do mês.

Como hoje é final de domingo, tomo a liberdade de escrever e até questionar a existência dos Pontos Facultativos ( a felicidade de um sábado, geralmente me faz perder a razão e até  esqueço das partes de um  texto  escrito que são: coesão, coerência...). Tudo está tão incoerente ao nosso redor que as palavras vêm e vão como se meus neurônios fossem um "bilboqué".

Alguém sabe me dizer por que existem os pontos facultativos?! Só posso dizer que nas escolas, dependendo do Ponto e daquilo que vem pela frente, ninguém trabalha, mas logo vem a reposição aos sábados. Creio ser de péssimo gosto presentear uma pessoa querida com um produto com data vencida! Nem aquela não tão amada!.

Quero mesmo é ter um sábado feliz com minha família e amigos.

Sei que nas prefeituras, órgãos públicos e lá em Brasília, Ponto é Ponto e ponto final. Eles são tão agraciados que até esticam o Ponto que vira uma enorme ponte! Sábado nem pensar.

Quem não é funcionário público, sabe o que é Ponto Facultativo?!

Trabalhei durante cinco anos na Delegacia de Ensino e certa vez perguntei a uma supervisora de ensino o porquê de não trabalhar em alguns Pontos e fazer reposição aos sábados. Ela, rindo da minha cara, disse:

_ Gerson, não somos nós que determinamos a ponte do Ponto ou só o Ponto. A ordem vem "lá de cima"!

Muito interessante, quando as pessoas não sabem ou não querem explicar um certo assunto, partem para o conhecido " ordens lá de cima" ( como aquele antigo chavão: Forças Ocultas!)

Entendo agora quando as pessoas ficam iradas por nada, sempre olham para cima! Quem sabe pedem clemência ou perdão pela banalidade de suas vidas.

Só mesmo Aquele lá de cima para nos dar discernimento e piedade para lidar com os apedeutas que cortam nossos caminhos!

Consegui esquecer do prefeito e do leite.

E ,para não falar que só falei de leite, falo também do dia da árvore e início da primavera, o mês do verde e das florações.

 

Preocupações:

- Pau-brasil e araucária - correm o risco de extinção.

- Mata Atlântica - tem hoje apenas 4% do seu tamanho original ( um milhão de Km²).

 

Exemplos de Cidadania:

- Não desperdiçar papéis e fazer a reciclagem.

- Não comprar madeira que esteja em risco de extinção.

- Não deixar nenhuma árvore ser derrubada sem autorização da prefeitura.

 

 



Escrito por geppi às 00h05
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Revelando São Paulo

Revelando São Paulo

Fiz loucuras nesta viagem que passo a narrar. Quem entende de estradas ou mesmo um professor de geografia vai chamar minha atenção por ter caminhado, quem sabe sem necessidade, por estradas que formavam linhas flexuosas que me levavam a ângulos agudos e obtusos, salientes e até reentrantes.

 Mas o objetivo era conhecer uma história não vivida, mas de vida. Podia ter evitado atalhos e encurtado o passeio. Nem dei importância a latitudes e longitudes . Se mar ou montanha. O ponto de partida já anunciei anteriormente: Itatiba. Com aquela receita de Camarão à Grega em mãos, cheguei em São Manuel. Fiquei perplexo diante da beleza escultural  da homenagem, em praça pública, à consagrada dupla Tonico e Tinoco. Mais abaixo vejo o famoso rio Tietê.

Num piscar de olhos já estava em Iguape ( Princesa do Litoral), o Museu Histórico e Arqueológico me deixou fascinado, isso sem ter visto antes o Museu de Arte Sacra do século XVIII, se não me falha a memória. Em Jacupiranga ( jacu-vermelho), palavra de origem indígena, fiquei sabendo que nesta cidade se encontra o segundo maior parque do Estado e que é o local preferido pelos turistas amantes dos esportes radicais.

Mais adiante Campos do Jordão, cidade que nunca quis conhecer só de pensar na temperatura, prefiro ficar longe dos Alpes Suíços . De Sampa a Campos do Jordão são 167km que representam para este escrevinhador 1667km! Sem muitas explicações quanto à analogia. Quem me conhece...

No Circuito das Frutas ( Atibaia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Valinhos, e Vinhedo) comecei a falar usando as consoantes labiodentais e fricativas só de olhar as compotas, minhas narinas sentiram aquele cheiro de doce feito em casa pela vovó. Provei o licor de caqui de Morungaba. Não teço comentários por uma questão de respeito ao leitor que não conhece a cidade de Morungaba.

"Berço das Águas" - Joanópolis, na serra da Mantiqueira, de longe vi o Pico Selado, um desafio! Mais de 2000m de altitude. Em Piedade só relax. Que pesqueiro! Nem quis continuar a viagem até Eldorado. Claro que me arrependi, soube que o clima nesta cidade é quente o ano todo. Este detalhe é deveras importante para mim.

Cheguei em Santos ( terra do pintor Benedito Calixto), além das praias o centro histórico continua hipnotizando os visitantes: O Outeiro de Santa Catarina, Conjunto do Carmo, A Casa do Trem Bélico, o Pantheon dos Andradas, o bonde...

Procurei São José do Rio Pardo," o Roteiro da Harmomia" "...às margens do Rio Pardo, você equilibra razão e emoção!" Passei por Presidente Prudente e me chamou a atenção o Centro Cultural Matarazzo, parecia uma estação de trem...

Em Luiz Antônio, a capital do bordado, Darcy,  minha esposa ( não fiz a viagem sozinho,claro), parou nos detalhes dos acabamentos em macramê, ponto cruz e crochê. Não tive muita paciência, queria mesmo chegar em São Sebatião, adoro praia e quando avistei a Praia de Calhetas, vi ao meu lado uma cadeira de praia, antes de sentar-me para apreciar as ondas, percebi que já era noite e hora de voltar.

Dei aquela esticada até a Estação Eugênio Lefévre em Santo Antônio do Pinhal, inaugurada em 1916. Caro leitor, se minha viagem não terminasse em uma estação, não teria valido a pena ter deixado a Darcy em Luiz Antônio.

Hoje , não me sinto cansado, mas revigorado para convidar você, leitor, a fazer  a mesma viagem e conhecer outras cidades que não conheci pois o tempo me limitou , mas me inspirou para fazer este roteiro.

Local da viagem: Parque da Água Branca - até dia 21/09

 

 



Escrito por geppi às 14h25
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Revelando São Paulo

Revelando São Paulo

 

O primeiro estande que passei ,na minha visita ao Parque da Água Branca, foi da cidade de Itatiba. A moça ( digamos que com muitas primaveras!) me olhou como se eu pedisse algo, sorriu e perguntou:

- O senhor gosta de camarão?

Olhei para minha esposa assustado. Minha esposa respondeu sorrindo:

- Ele adora!

A moça provavelmente tenha imaginado que eu fosse surdo ou tivesse algum problema com a língua.

Penalizada, a moça de fita amarela na cabeça, entregou uma receita nas mãos da Darcy ,minha esposa. Eu só olhava.

A Darcy continuou sorrindo e disse obrigada.

Não quis fazer papel de bobo e disse:

- Você conhece meu primo que mora em Itatiba?

A moça continuou olhando ,agora assustada, para a Darcy.

Minha esposa, conserta o mal entendido.

_ Sabe, ele tem um primo que mora em Itatiba .É fabricante de vinhos.

- Ah! Quem é ele?

- O Pig...

- O quê? O Pig...? Meu primeiro namorado?

Muita gente chegando ao estande, a moça perplexa, minha esposa ainda sorrindo e eu com a maior cara de otário digo:

- Isso mesmo, ele fabrica vinhos, não é?

Outra vez minha esposa ameniza o mal entendido.

- Nossa, camarão à grega?

Agradecemos à moça e saímos com a receita. A história termina aqui. Não vou falar com meu primo e com ninguém.

Sabemos que as cidades do interior são pequenas, mas encontrar a primeira namorada de meu primo num estande que serve em outros dias do ano para alimentar cavalos já é demais!

Vou direto à receita.

 

Camarão à grega

1 palito de churrasco

6 camarões médios

5 quadrados de muçarela

farinha de rosca para empanar

Arroz

100g de arroz cozido

2 colheres de uvas passas

2 colheres de azeite

2 colheres de pimentão verde picadinho

3 colheres de pimentão vermelho picadinho

2 colheres de salsinha picadinha

2 colheres de cenoura picadinha

 

Empanar e fritar os camarões. Dispor no espeto, intercalando com os pedaços de muçarela. Servir com o arroz à grega pronto, acompanhado de batata palha.

Uma observação: A receita traz a grafia errada da palavra muçarela , mas registro aqui a forma correta.

 

 

 

 



Escrito por geppi às 00h49
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Revelando São Paulo

Revelando Sâo Paulo

Há nove anos que a Secretaria de Estado da Cultura vem reunindo essa amostragem significativa da cultura tradicional de São Paulo.

    Cada município é contemplado com um estande em que o artesanato e a culinária são os elementos significativos e  tradicionais de cada município do Estado.

Nossa escola não podia esquecer desta exposição. Revelando São Paulo já fazia parte de nosso projeto pedagógico e há algum tempo estamos organizando esse trabalho.

Com o apoio da Coordenação Pedagógica e Direção, todos os professores do curso noturno estiveram envolvidos neste acontecimento. Marcamos com nosso alunos da EJA ( Educação de Jovens e Adultos) o encontro no portão principal às 19h30.  Aproximadamente 85 alunos mostraram interesse neste passeio cultural.

Pensávamos que por ser o primeiro dia do evento, o local estivesse intransitável, mas foi tranqüilo. O que pôde ter dificultado um pouco o acesso dos alunos ao local foi o dia: sexta!

Agradável foi encontrar os alunos, fora das tradicionais "quatro paredes", todos mais alegres, descontraídos e digo o mesmo dos professores. Donizete, de História, sempre brincalhão ; João, com aquele ar professoral como se estivesse saído de uma empresa multinacional;

Ângela, toda preocupada com a hora do fechamento do portão ( ainda era cedo, a exposição terminava às 22h!),

Sueli, toda sorriso, noblesse  anfitriã, com a lista de alunos nas mãos; Valmir, de Geografia, preocupado com as fotos; Altair,o homem da WEB, sempre solícito; Mara, de português, sempre amável, acompanhada pelo Arnaldo, também de português e todo elegante de óculos escuros.

O Arnaldo me indicou o suco de uva de São Roque. Que delíciaaa! Jô, Coordenadora, chegou de repente para enfeitar o time. Dileide, sempre alegre  e comunicativa; cumprimentei a Cida, de Ciências, acompanhada de sua filha, quase que tropeçando num canteiro de azaléias, creio eu. A Luciane, de inglês, passou ao lado sorrindo mas aí nos perdemos nos doces. 

Ainda cumprimentei a Isabel ( que estava de olho no doce de banana) e o Osmar. Com o Osmar ainda caminhei um pouco juntamente com minha esposa. O Osmar tem um jeito de pediatra!

Meu Deus, será que  esqueci alguém? Caso ocorra essa falta de memória, só posso dizer que todos do "Dale" brilharam nesta noite sem estrelas. O céu anunciava  uma chuva, nem a Lua iluminou a arena em que houve a dança cigana. Mas nossos alunos cintilaram naquele jardim de luzes difusas. Foi mesmo um joie-de- vivre!

Meus cumprimentos a todos os alunos, diretora, coordenadoras e professores que proporcionaram uma aula inesquecível.

Levar a escola ao ar livre potencia a apropriação de um largo conjunto de experiências que enriquecem o currículo e a vida.

Continuo escrevendo sobre Revelando São Paulo nas próximas postagens.

Quase que esqueço. Achei genial não receber no portão de entrada aqueles montes de "santinhos". Houve um ano em que carreguei uma sacolinha cheia de "santinhos" , sorte que no meu prédio fazem a reciclagem de papéis!

Para informações sobre o Revelando São Paulo, acessem:

www.darc.sp.gov.br

 



Escrito por geppi às 00h09
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Rosicleide, a mulher pum!

Rosicleide, a mulher pum!

A TV mostra, quase todos os dias, vários tipos de mulheres. Sempre as piores no que tange ao intelecto. Cito exemplos desse mundo frutífero.

Mulher melancia, jaca, moranguinho e até samambaia. Todas oferecem alguma coisa, menos o cérebro funcionando.

Com minhas escusas ao leitor deste texto pelo tema que vou abordar (não é de meu jaez falar de problemas gastrointestinais), mas vi, quinta-feira, na escola, a mulher pum! Isso mesmo, a aluna Rosicleide é a nova mulher dos flatos.

Em plena aula, Rosicleide se vira para duas amigas, com o corpo dobrado como aqueles esportistas que arremessam dardos, e em "alto e bom som " ( sin pelos en la lengua) emite o que ela tem de mais sagrado na memória. Parecia mesmo o grande tcheco Jan Zelezny com suas três medalhas de ouro nesse esporte.

Fiquei perplexo mas tive domínio de fazer de conta que não ouvi, vi e senti. Uma das amigas, para deixar o ambiente mais respirável, ligou o ventilador de teto.

Minha vontade era mandá-la à diretoria, mas sei que  deixaria a diretora, Profª Arlete e a Coordenadora Pedagógica, Profª Sueli ,em situação constrangedora. E se a mulher pum negasse e dissesse que era um complô?! Pensei mesmo fazer um BO na Delegacia do bairro, desisti, soltar pum não é crime.

Melhor mesmo convocar os pais. Pensei seriamente e imaginei os pais me dizendo: " Professor, só por causa de um pum?!" Ou ainda: " Olha, nós nos comunicamos assim em casa, professor."

Minha saída seria escrever para Márcia Zoladz, da Folha, que assina a coluna Etiquetésima. Pedir uma orientação ou amparo. Nem comecei a escrever  e novamente desisti. A Márcia teria um ataque. Quis poupá-la.

Como sair de uma situação dessa... Afinal, existem várias formas de comunicar-se. Tudo depende do  histórico familiar e até do QI do ser pensante. Imagino mesmo que Rosicleide não tenha QI mas QP ( Que pum!).

Já li que os puns humanos contribuem para o aquecimento global. Eles contêm o gás metano ( CH4). Não quero dizer que não se deve soltar pum, longe disso, mas temos que  ter classe até na hora dos flatos. Os puns das vacas e girafas, estes sim são verdadeiras bombas gasosas para o planeta, segundo pesquisa. Devia ter denunciado a Rosicleide!

Existem histórias pitorescas sobre o pum, como a registrada em um dicionário editado por Shakespeare em que a palavra " infart" nada mais é do que o pum do coração. Faz sentido: "in" = dentro, "fart" = pum. Dizem ,também ,que Rapunzel recebeu este nome merecidamente!

Já estou no Magistério há mais de três décadas. Vi de tudo. Ri e também sofri. Não quero esperar, para os próximos tempos, que alguma aluna obre na minha mesa, quicá na cabeça. Quero fugir antes da tempestade.

Fiquei penalizado com meu colega, professor João, de matemática,  um  gentleman, quando ele  contou sobre o pum alto de uma outra aluna; mal sabia que eu seria a próxima vítima!

Diante do explicitado ( com duplo sentido mesmo!), sugiro às faculdades que introduzam nos currículos de Prática de Ensino ou Psicologia, temas que abarquem a liderança dos flatos ou como administrá-los sem perder as estribeiras. Os novos professores devem chegar às escolas já dominando a flatuosidade dos discentes. O que adianta saber tudo de Luria e Vygotisky mas sentir-se frágil diante de um pum alheio?!

Não saio sem deixar meu recado à mulher pum, Rosicleide. Estamos em ano eleitoral, você não podia ter escolhido "um deles" e soltado seu recado? Pense muito para o próximo, s´il vous plaît!

A você, leitor, meu carinho e pedido de  orações. Ser professor é também reconhecer que somos, acima de tudo, seres humanos, e que temos licença para rir, chorar e esbravejar!

 

 



Escrito por geppi às 00h13
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Minha cidade, minha estação

Americana, minha estação

Neste domingo sem Sol e nada para fazer( os alunos que me perdoem pelas redações não corrigidas) resolvi pensar na minha cidade, Americana/SP.

Sem querer, lá estava no final do ano de 1970. Todo santo dia às 18h, o barulho ensurdecedor de um trem vindo de Panorama com destino a São Paulo parava na estação de Americana, era um vozerio de jovens no "hall"; não se usava boné, celular, MP4 e nada de produtos eletrônicos vindos do exterior ou da Santa Ifigênia.

O material era sempre igual: livros, cadernos,apostilas. E vontade de estudar!

Apenas os cabelos dos rapazes eram mais compridos. Era a Jovem Guarda! Este escrevedor não era calvo como hoje, nem os cabelos eram grisalhos. Era mesmo a época dos " cursinhos" preparatórios para o vestibular da PUC de Campinas.

Em Americana não havia essa história de MAPOFEI, CECEA, CECEM ( nem sei se as siglas estão corretamente grafadas).

Esse era o "trem das seis" que levava todos a Campinas e parava em Nova Odessa para a baldeação. Os encontros ,na estação, resumiam num simples "oi" e logo era aquela corrida ao guichê para o carimbo da carteira quilométrica ( acredito que muitos nem conhecem essa carteira, mas guardo a minha até hoje!).

No trem, os estudantes se agrupavam conforme os interesses: literatura,esporte, música, religião, banalidade,etc.

Havia o grupo religioso cognominado " Os Noviços". Óbvio que este segmento tinha como tema a espiritualidade. Protestantes, católicos e até judeus se digladiavam.

Dentre os protestantes, Ademir, morador de Nova Odessa, era  "expert" no quesito Bíblia. Sabia tudo sobre a Reforma. Tinha até a postura de um reverendo. Gostava de distribuir folhetos evangelísticos. Guardo um dos folhetos citando o Salmo 24. Era um verdadeiro apóstolo falando aos gentios!

Outro grupo preocupava-se com cinema e teatro. Discutiam o enredo, os personagens, a direção e me vem à memória, agora, uma peça chamada " Um Bonde Chamado Desejo" de Tenesse Willians. Nesta época, a peça estava em cartaz na Capital.

Mauro se entusiasmou tanto com essa peça, que depois de ter visitado na Capital o Cine Aurora ( um cinema suspeito para aquela época!) foi ao teatro, e não parava, durante a viagem de trem, de recitar partes da fala do personagem Blanche du Bois.

Mauro dizia que a peça surgia no melhor momento, justamente quando o ser humano se sentia mais solitário e incapaz de amar e que a obra de Tenesse era uma resposta, um grito contra o desamor.

Nas poesias, crônicas e romances, outro grupo se destacava. Uma poesia, que lembro agora, era de Machado de Assis, "À Carolina" . Houve até polêmica sobre o acento grave empregado na vogal "a" do título.

Evidente que havia a turma dos apaixonados pelos esportes. A rivalidade era Palmeiras e Corinthians ( não mudou muito!). Mas tinha um rapaz que se dizia acima de tudo "riobranquense". Rio Branco é o clube e nome do time de futebol da cidade.

Motivo ,neste momento,  de riso, era a rivalidade entre os americanenses e barbarenses ( Santa Bábara D´Oeste, cidade vizinha e terra natal do nadador Cielo). Os americanenses chamavam os barbarenses de " cortadores de cana" e recebiam em troca o nome de "tecelões".

 Vale dizer que Americana é conhecida como a " Princesa Tecelã" por ter ,no passado, o maior número de indústrias têxteis. Abro um parêntese para falar de meu tio Décio Vitta ( in memoriam) que foi o edil mais antigo da cidade, e  que muito lutou pelo esporte , haja vista  o estádio do Rio Branco receber seu nome.

Voltando ao passeio cultural, além das brincadeiras nos vagões do trem que sempre eram interrompidas pelo chefe , havia um lado romântico com namoros e beijos fortuitos. Doutores nessa arte era o casal  Bruno e  Neusa.

Tudo o que acontecia entre eles só havia como testemunha aquele espaço  que separa os vagões. Um espaço exíguo mas que se movimentava para a direira e esquerda sem parar.

Todos tinham curiosidade e sempre um mais ousado espiava pela janelinha de vidro. Mas nunca viram nada  que não pudesse, hoje,  ser publicado nesta crônica. Só não publico por achar mesmo irrelevante.

Após às aulas, a " largada" se comparava à corrida de São Silvestre. O último trem saía às 23h50. Na volta, o silêncio era sepulcral. Ouvia-se, numa espécie de murmúrio,  sobre o presidente militar e o desaparecimento de estudantes na " catástrofe de 68".

A chegada em Americana era sempre anunciada por um rapaz de óculos de lentes grossas que tinha a mania de assobiar músicas de Elis Regina e Edu Lobo. Queria ser historiador. Nem sei se realizou seu sonho.

Quando ele estava mais afoito, já pulava na plataforma com o  trem em movimento, cantando: "Splish Splash foi o soco que eu dei..."( parodiando a  música de Roberto Carlos).

Era assim a rotina no trem da alegria até que uma notícia funérea quebrou nossso encanto de jovens sonhadores. O desaparecimento de Ademir. Uns diziam  que com o passar do tempo  ele se tornara um intrépido pregoeiro na região nordeste do país e outros , que era uma armação do regime militar  vigente...

Ademir deixou saudade! E por falar em saudade,minhas condolências à família Sabino, de Americana, pelo falecimento da professora Nancy Sabino ,na semana passada. A Nancy também fazia parte do trem da alegria. Era moradora da famosa rua do "Pito Aceso", no centro.

O casal Bruno e Neusa anunciou o noivado, lembro-me da hora e não do dia, era quase uma da manhã, ouvia-se um assobio de "Ponteio".

Para tornar esta história  romântica ou dramática, informo que o casal não tinha  o consentimento dos pais do noivo, o trem era mesmo o refúgio.

Soube ,meses depois, que ambos usaram o "refúgio secreto" por quatro anos.Depois, Neusa começou a lecionar em São Paulo, e somente as cartas alimentaram aquele sonho.Casou-se, não com Bruno, mas com um paulistano do Brás.

De Bruno nada mais sei. Quando volto à minha cidade, faço questão de passar em frente à estação; está vazia, sem vida, nem os trens passam para me alimentar.

Só vejo algo estranho ao lado da escadinha que dá acesso às bilheterias desativadas, um senhor calvo esperando um  trem que nunca passa, quem sabe o mesmo trem que um dia me mostrou um dos caminhos da vida...

 

 

 

 



Escrito por geppi às 00h08
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Este blog ou esse blog?

Este blog ou esse blog?

Muitas pessoas encontram alguma dúvida na hora de falar ou escrever os pronomes demonstrativos.

A Glória, leitora deste blog, fez alusão aos pronomes no comentário de uma crônica anterior e o Lindolfo do Interior, também colocou no comentário o uso do esse e este.

 Nem  preciso falar dos alunos que não sabem  a diferença entre essa e esta.

Aproveito este espaço para falar sobre os pronomes.

1ª pessoa - a coisa ( ou pessoa) indicada está perto da pessoa que fala: este, estes, esta, estas, isto.

Ex: Este computador precisa de reparo.

     Estas mãos que escrevem também afagam.

 

2ª pessoa - a coisa ( ou pessoa) indicada está longe da pessoa que fala e perto da pessoa com quem se fala: esse, esses, essa, essas, isso.

Ex: Esse lugar é seu.

     Essa caneta ( que está com você) me pertence.

 

3ª pessoa- a coisa( ou pessoa) indicada está longe da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala: aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo.

Ex: Aquele aluno escreve muito bem.

Aproveito esta oportunidade para avisar a todos que planejo ,para o próximo mês, participar de um curso na PUC referente às múltiplas linguagens, sendo assim, neste mês, continuarei escrevendo diariamente e para o próximo, os textos serão esporádicos, tendo em vista a necessidade de muitas pesquisas.

Prometo que este blog não ficará com as suas páginas em branco, este coração estará pulsando freqüentemente em sintonia com cada pessoa que me visita e até com aquelas que apenas  passam como as nuvens que brigam com as gaivotas.

Que assim seja neste ano!

Se o curso citado estiver com as vagas preenchidas, este escrevedor voltará como se nada tivesse acontecido.

Como se fosse mais uma quimera.



Escrito por geppi às 00h22
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Receita poética

Receita com poesia

Escrevi há alguns dias sobre Antônio Houaiss, o homem das letras e da gastronomia.

Consulto sempre o dicionário dele para minhas pesquisas. Prefiro Houaiss ao Michaelis. Este, não  dispenso,claro, mas o Houaiss creio que seja mais completo. Houaiss foi sempre um incentivador da reforma ortográfica que tem suscitado polêmicas.

Veja o tom poético nesta receita:

ARROZ

RISOTO DE BACALHAU COM BRÓCOLIS

De uma posta cozida de bacalhau que sobrou de outros carnavais, faça uma porção de iscas; 1 cebola picada; 1 colher ( de sopa)

de massa de tomate; 1 molho de brócolis tenro cortado em pedaços mais ou menos graúdos, aproveitados também os talinhos

tenros; 1 xícara ( de média) de arroz lavado; 1 xícara ( de café) de óleo vegetal.

 

Numa panela generosa, frite no óleo vegetal ou no azeite as cebolas; quando alouradas, junte-se-lhe o bacalhau, por 2 minutos mexidos; e em seguida, tudo o mais, com água aquecida até cobrir o todo.

Dá-se-lhe uma mexida para distribuir mais ou menos igualmente os ingredientes. Espere a primeira fervura, diminua fortemente o fogo, tampe de banda ( para deixar escapar o vapor) e sirva antes que fique seco, pois a umidade é ponto de honra nesse pratinho perfeito.

 Há quem não dispense uma quarta de sumo de limão suculento.

Esta receita fica pronta em (até ) 18 minutos.

 

 

 



Escrito por geppi às 00h31
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Palavras que oferecem dúvida

Palavras que oferecem dúvida

Algumas vezes, pessoas são surpreendidas ao deparar-se com a grafia de certas palavras que oferecem dúvida. 

 A explicação que faço, está cristalizada nos livros didáticos e "gramáticas".

- mas, más, mais:

mas - é conjunção: Ia "cabular" aula mas se arrependeu.

más - é adjetivo feminino: Dizem as más línguas que a aluna está grávida.

mais - é advérbio de intensidade: Há mais alunos faltosos na 3ª etapa "D".

- mal, mau

Mal pode ser:

a) Substantivo: o mal se opõe ao bem.

    Mal é substativo quando puder vir acompanhado do artigo o: o mal.

b) advérbio: Ela canta mal.

    Mal é advérbio quando se referir a um verbo ou adjetivo.

c) conjunção: Mal chegou, já saiu.

    Mal é conjunção quando puder ser substituído por logo que, apenas.

    Mau é adjetivo. Refere-se a um substantivo. É antônimo de bom.

    Mau tempo. Homem mau.  Lobo mau.

 

- Por que, Porque, porquê, Por quê

Por que

Escrevemos por que:

1) em perguntas:

- Por que não houve aula?

2) quando for possível a sua substituição pelas expressões pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais:

A causa por que estudamos é gratificante.

3) quando for possível a sua substituição pela expressão por qual motivo:

Sempre pergunto ao professor por que temos dificuldade em escrever os porquês.

 

- Porque

Escreve-se porque em respostas ou justificativas:

Não fui à escola porque estava doente.

 

- Porquê

Escreve-se porquê quando for palavra substantivada e puder ser substituída por motivo, razão,causa.

Quero saber o porquê da sua falta à aula.

 

- Por quê

Escreve-se por quê quando vier isolado, geralmente no final da frase:

Ela não veio à aula por quê?

 

Portanto, de forma simples, está feita a explanação dessas palavrinhas que atormentam a vida de muita gente.

        

    

 

 



Escrito por geppi às 00h06
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Tautologia

Tautologia

Domingo estava ouvindo no rádio o jogo do Palmeiras com a  Portuguesa. O jogo estava 4x2 para o Palmeiras mas o narrador da Rádio Globo insistia em dizer 4 a 1; nem o estádio ele acertava, falava que era  no Palestra Itália, sendo que o jogo era mesmo no Pacaembu.

Aos poucos ele ia corrigindo e minha cabeça girava, girava...

Entendo que é extenuante narrar um jogo mas como o Palmeiras  levou "a melhor" , deixei pra lá. O mais engraçado ou triste, foi no final do jogo quando um repórter entrevistou um jogador palmeirense e este profere a mágica frase: " Quando a bola entrou pra dentro do gol..."

Sobre isso que quero escrever. Tautologia  é o termo usado para um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O mesmo que pleonasmo. 

O exemplo clássico é o famoso " subir para cima" , " descer para baixo".

São armadilhas da nossa língua. Muito cuidado com elas! Veja uma lista de outras "arapucas".

 1- elo de ligação

 2- acabamento final

 3- certeza absoluta

 4- juntamente com

 5- expressamente proibido

 6- em duas metades iguais

 7- sintomas indicativos

 8- há anos atrás

 9- detalhes minuciosos

10 - de sua livre escolha

11- conviver junto

12-  encarar de frente

13- multidão de pessoas

14- criação nova

15- abertura inaugural

16- exceder em muito

17- a seu critério pessoal

18- surpresa inesperada

Fique bem esperto no seu dia-a-dia, verifique se não está caindo em alguma armadilha.



Escrito por geppi às 00h24
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Sinfonia nº 9

Sinfonia nº 9

Entendo pouco de Sinfonias, exceto a sinfonia de todas as manhãs, na varanda de meu apartamento , regida por pássaros de pescoço amarelo que voam em busca do néctar, mal sabem essas pequenas criaturas que elas sim são meu mel.

Não ouvi a Sinfonia nº 9,em ré- menor, de Beethoven nestas Olimpíadas mas, provavelmente, ouvirei agora no período eleitoral.

Beethoven fez nesta Sinfonia um retorno ao passado, talvez a surdez tenha sido a causa da Sinfonia nº 9.

Qual seria a relação da Sinfonia e surdez de Beethoven com as comemorações políticas? Será que o povo anda surdo ou são os políticos que não vêem as estrelas?

Procurei a música no You Tube e me deliciei antes de assistir ao vôlei masculino. Quando o Brasil perdeu, ainda estava em êxtase, a queda foi tão serena que parecia uma pena deslizando na varanda.

Consegui a tradução da Sinfonia e reproduzo uma parte dela, a do Coro. Que todos consigam ir além das estrelas.

" Abraçem-se milhões!

  Enviem este beijo para todo o mundo!

  Irmãos, além do céu estrelado

  Mora um Pai Amado.

  Milhões se deprimem diante Dele?

  Mundo, você percebe seu Criador?

  Procure-o mais acima do Céu estrelado!

  Sobre as estrelas onde Ele mora!"

 



Escrito por geppi às 00h05
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Corte Profundo

Corte Profundo

 

na mão

             o sangue

 

O I revela a dor

 

as aves no céu voamm

   e varremm  a palavra

 

mão

 

o sangue mancha

     estes versos que morrem

 

mãos vermelhas

vermelhando

cortelhando

pentelhando

Acabou o sangue

 



Escrito por geppi às 01h42
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Bibliotecas Públicas

Bibliotecas Públicas

São Paulo é rica em bibliotecas públicas. Acredito que falte divulgação desses espaços, como os horários de funcionamento e locais.

Temos bibliotecas  espalhadas em vários bairros. Um aluno me pediu endereços de algumas bibliotecas que ficam mais próximas da casa dele , socializo com outros que têm o mesmo  prazer: leitura.

 

Biblioteca Pública Érico Veríssimo

Rua Diógenes Dourado, 101 - COHAB Parada de Taipas ( zona norte)- tel. 3972-0450

 

Biblioteca Pública Afonso Schmidt

Av. Elísio Teixeita Leite, 1470 - Cruz das Almas ( zona norte)- tel. 3975-2305

 

Biblioteca Pública Clarice Lispector

Rua Jaricunas, 458 - Bairro Siciliano ( zona oeste)- tel. 3672-1423

 

Biblioteca Pública Padre José de Anchieta

Rua Antônio Maia, 651 - Perus ( zona norte) - tel. 3917-0751

 

Biblioteca Pública Mário Schenberg

Rua Catão, 611 - Lapa ( zona oeste) - tel. 3672-0456

 

O horário de funcionamento é o mesmo em todas: de segunda-feira a sexta -feira das 8h às 17h e aos sábados das 9h às 16h.

 

Quem gosta de passear pelo centro,aos domingos, não pode perder o Bosque da Leitura da Luz que fica na Rua Ribeiro de Lima,99 - Luz. Leitura ao ar livre. Sempre das 10h às 16h. Informações: 3334-0001 - ramal 2408

 

 



Escrito por geppi às 01h00
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Ensinando a pensar certo

Ensinando a pensar certo

Professor pede

chora, reclama

do dia, do aluno

que não aprende

da vida que se estende,

do salário que acaba

numa noite de insônia.

Pobre professor que se mata

nas ruas de uma escola.

Pobre do aluno que não atrai

mas só se distrai.

Mudança de vida só quando o sujeito

vier posposto ao verbo principal.

Do verbo auxiliar,  muita distância!

O jeito é usar parônimos e até homônimos

para complicar.

Meu Deus! Chega de confusão!

Melhor usar eufemismo,

Só falta nos fazerem varrer calçada, para limpar o que  faz todo cão...



Escrito por geppi às 01h57
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Palavras que não dizemos

Palavras que não dizemos

maganão - indivíduo jovem, engraçado

opugnar - assaltar, acometer

aselha - pequena asa

comenos - momento, ocasião

edaz - voraz

patutéia - plebe

peco (ê) - que definhou

setênico - período de sete anos

tijuco - pântano

estomagar - ofender(-se)

bulha - confusão de sons ou de gritos

alarve - pessoa rústica, rude

opíparo - pomposo

incúria - desleixo

vergel - jardim, pomar

xácara - narrativa popular em verso

zinha - qualquer mulher

turra - pancada forte com a testa

tassalho - fatia grande

patranha - grande mentira



Escrito por geppi às 00h16
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Meio Ambiente

No alto da Serra

Uma história tem que ser contada como se fosse verdade. Muitas vezes é mesmo, como a história que vou contar dos irmãos Ric e Renata.

Adianto o final da história com o objetivo de fazer um convite a você que está lendo este relato. Faça um passeio pela Serra da Cantareira, na altura do Horto Florestal, na zona norte de São Paulo, para observar o espetáculo do ipê-amarelo florido. É fácil localizá-lo, em seu tronco há o desenho de uma cruz.

A Serra abraça a cidade de São Paulo; há muito tempo perdeu uma parte de seu encanto, não digo que apenas a poluição e o desmatamento foram os responsáveis ( isso todos sabem e nada fazem!) mas pela invasão desordenada de casas e casinhas entre os pinheiros-do-paraná que ao anoitecer mais parece uma plantação de trigo.

Invasão de terras é uma outra conversa. Nosssa história começa com Ric, um menino com seus 13 anos de idade, que além de viver recolhendo latinhas pela mata onde mora, preocupa-se também com as pilhas que encontra pelo caminho. Sempre as recolhe, conscientizou-se do malefício que elas representam à Natureza quando sua professora de Ciências pediu uma pesquisa sobre pilhas e baterias e como as indústrias podiam contribuir para eliminar ou diminuir a quantidade de metais pesados presentes nesses produtos.

Ele já tinha lido na internet sobre o mercúrio, cádmio e chumbo, assim sua pesquisa não foi tão difícil. Sua irmã Renata já era meio "desligada", nem se importava com essas coisas e às vezes até ria de seu irmão quando o via com aquele montão de pilhas acondicionadas em sacos plásticos para levar à escola. Como pode uma coisa dessa, os dois estudavam na mesma escola, em classes diferentes, mas a professora era a mesma. 

A vida não deixa de ser um mar de ondas altas. Algumas ondas dependem de um momento, de uma reflexão. Numa dessas ondas, digamos que furiosa, com ar professoral, Ric questiona sua irmã.

- Renata, você acha que nesse riozinho que circunda nossa casa, um dia veremos o que você mais gosta, peixes?

Claro que Renata esboçou um sorriso de ironia.

- Peixes??? E quando existiu peixe nesse lodo fedido?

- Até piavas e corumbatás- disse Ric- os homens lá de baixo vinham aqui para pescar e nadar escondendo-se sempre das suçuaranas.

Renata,perplexa, pergunta:

- Ué,  cadê os peixes?  Nadavam aqui nesse barro?!

Nessa hora Ric sente uma ponta de tristeza.

- Os peixes, Renata, se cansaram do lixo jogado pelas pessoas e fábricas e a água diminuiu tanto que não suporta mais um corpo imerso, apenas dois pés!

- Chato mesmo, Ric, até li uns folhetos na escola sobre esse assunto mas não dei muita importância. Olha, mano, se você quer saber, o mais feio são as folhas  das árvores que sujam o rio. Já que estamos falando da Natureza...

Ric percebe a mudança no tom da voz da irmã e diz:

- As folhas, Renata, enfeitam o que não tem mais vida. São folhas tão secas que nem força têm  para acariciar a água.

- Mano, você está meio metido a poeta, mas deve ter suas razões. Já que você está usando metáforas, vou falar das estrelas que não são mais as mesmas. Quando tinha cinco anos elas brilhavam tão intensamente que pareciam aqueles anúncios de néon.

- Gostei dessa, Renata, quem se preocupa com as estrelas sabe que a Lua existe. Fale dessas estrelas aos seus amigos, compartilhe esse seu encontro com a Natureza.

Esta história aconteceu há cinco anos. Hoje, meninos experimentam um mergulho naquele riozinho ainda sem peixes, o lixo afastou-se, as folhas caem ainda secas, mas correm como se estivessem rindo. Restou, nesse cenário, uma semente, a semente que Ric plantou e que se transformou no ipê-amarelo.

Visitem esse monumento! Todos, lá na Serra, conhecem a história.

 

                                                              www.geppi.blog.uol.com.br



Escrito por geppi às 00h07
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Saudade do Trema

Saudade do Trema

A palavra saudade faz muita gente viajar. Conheço pessoas que não lêem nada sobre saudade porque acham um termo "démodè". Tenho uma amiga que nunca leu nada do "poeta da saudade", Antônio Pereira de Moraes, por achar que saudade não combina com maturidade.

Cito uns versos dele, antes de falar sobre o trema. Peço licença à minha amiga.

" Saudade é o parafuso

  Que na rosca quando cai

  Só entra se for torcendo.

  Porque batendo num vai.

  E enferrujando dentro

  Nem distorcendo num sai."

Sinto saudade de parentes, amigos, ruas e de situações que nunca vivi. Não que faça da saudade minha companheira do  dia-a-dia. Pelo contrário, quem vive de saudade já está anunciando sua morte.

Quero mesmo falar de quem nem bem foi e já me deixa  neste estado de agonia. É o trema. Aqueles dois pontinhos em cima do "u" nos grupos "que", "qui", "gue", "gui", que servem para assinalar que o "u" deve ser pronunciado e átono. É chamado de diacrítico, assim como o acento circunflexo e outros.

A morte do trema já foi decretada desde dezembro do ano passado mas somente hoje oficializo, neste espaço, meu pranto. Sei que o tempo cura feridas, só me resta mesmo, para saciar minha sede, a amizade com as famílias que ainda conservam o trema em seus sobrenomes: Mülher, Müller, Qüiller...

Conheço pessoas de bem que nunca usaram o trema em toda a vida, mas sei que choraram por dois pontinhos a menos no salário.

Há muito tempo que sinto uma espécie de raiva da "Folha de São Paulo" e da revista "Isto É" por não usarem o trema nos seus textos, sei que faz parte do manual, mas sempre que podia corrigia no próprio jornal ou revista. Quando eles escreviam sobre algum problema com a lingüiça, tinha certeza de que não falavam da Sadia. Se algum jornalista sinalizava as conseqüências do efeito estufa, não levava muito a sério.

O pior foi o comentário na "Veja" sobre aquele jovem deputado estadual que exigia o quinto qüinqüênio na sua brevíssima carreira. Fiquei irado.

Não quero dizer que sou totalmente contra a reforma ortográfica, mas me preocupa o gasto com os novos livros, dicionários,etc. Sabemos que, com a reforma, 210 milhões de pessoas em 8 países que falam o português, terão a escrita unificada mas as pronúncias serão variadas.  Há países muito pobres nesse meio...

Uso o trema desde o dia em que minha professora do primário corrigiu a palavra cinqüenta. E sempre  ensinei que cinqüenta com trema tem sempre mais valor. Já passei pela reforma ortográfica de 1971, antes houve a de 1943 e agora essa que vai vigorar a partir de 2009. Será que verei outras?

Muitos vão me achar meio tolinho por falar com emoção sobre o trema, mas já vi pessoas chorando pelo cachorro morto, gato desaparecido, pelo brinco perdido na praia, o marido quando era magro...São muitas saudades.



Escrito por geppi às 01h15
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Ditados Populares

Ditos Populares

Circula na web alguns ditados conhecidos que recolhi por achá-los deveras engraçados. Como estão invertidos, ficaram mais realistas. Leiam.

- Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã.

- Quem tem boca vai ao dentista.

- Em terra de cego, quem tem um olho é caolho.

- Quem ri por último é retardado ou não entendeu a piada.

- Devagar se chega atrasado.

- Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém...exceto à galinha!

- Depois da tempestade vem a inundação.

- Roupa suja se lava na máquina.

- Onde há fumaça há sempre alguém pedindo para apagar o cigarro.

- Antes tarde do que mais tarde.

- Os últimos serão desclassificados.

- Se Maomé não vai à montanha, então Maomé vai à praia.

- Quem cedo madruga fica com sono o dia inteiro.

-A primeira impressão é a que fica, se o cartucho for novo.

- Quem tudo quer, tudo pede.

- Não adianta chorar sobre o leite desnatado.

- Quem com ferro fere não sabe como dói.

- Há males que vêm para o bem...mas a maioria vem para o mal mesmo.

 

 



Escrito por geppi às 00h04
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O Bruxo do Cosme Velho

"O Bruxo do Cosme Velho"

O Museu da Língua Portuguesa presta homenagem ao escritor Machado de Assis no centésimo ano de sua morte. Como escrevi, na crônica de 18/07, sobre minha visita ao Museu, hoje, escrevo sobre Machado, como havia prometido.

Joaquim Maria Machado de Assis ( 1839-1908) nasceu e morreu no Rio de Janeiro. De origem humilde, freqüentou apenas a escola primária. Do cargo de tipógrafo passou a revisor, redator e colaborador de jornais e revistas. Sua produção intelectual, iniciada com a crônica e o teatro, vai-se intensificando até atingir o ponto culminante com os romances, que o consagraram como um dos maiores escritores da língua portuguesa.

Casa-se com Carolina Xavier de Novais, que teria bastante influência em sua vida e em sua carreira literária. Funda, juntamente com outros escritores, a Academia Brasileira de Letras, da qual seria eleito presidente.

A morte de Carolina assinala uma fase de profunda melancolia na vida de Machado, marcada pela saudade da esposa. Seu último romance, " Memorial de Aires", tem caráter autobiográfico e teria sido o veículo para equilibrar a falta de Carolina.

Vítima de uma série de males, Machado morreu no Rio de Janeiro, na Rua Cosme Velho, 18, cidade onde passou toda a vida. A casa de Machado foi demolida ( coisas do progresso). Quando vemos a foto da casa, imaginamos o escritor andando pelas três sacadas cobertas por plantas, quem sabe pensando na Marocas, personagem do conto " Singular Ocorrência". Foi enterrado no cemitério de São João Batista, jazigo perpétuo 1359. No dia 07/08 publiquei um pequeno texto que narra o enterro de Machado.

Machado escreveu poesia, romances, contos, crônicas e peças de teatro. Muitas vezes encontramos alguma dificuldade em classificar as obras de Machado pois apresentam elementos do Realismo e Naturalismo mas a genialidade do escritor levou-o a superar os estilos, criando uma obra com características próprias que vão além daquilo que era "moda" no seu tempo.

Nos romances Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e outros que fazem parte da segunda fase, mostram um pessimismo, uma visão trágica e amarga da existência humana. " Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria" ( em Memórias Póstumas).

Aparece também, nas suas obras, um humor irreverente que leva o leitor a refletir sobre a condição humana. " Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis" ( em Memórias Póstumas).

A ironia presente nas obras é uma outra maneira de fazer o leitor refletir sobre a vida. " Ao vencedor, as batatas".

Os personagens criados por Machado são homens comuns. Às vezes são bons outras são maus. Machado penetra na consciência dos personagens, descrevendo seu mundo interior ( paixão pelo dinheiro/ egoísmo/ medo da opinião alheia/ personagens femininas dissimuladas/vaidade). A preocupação maior do escritor é com o caráter das personagens, por isso que nas suas narrativas há pouca ação e muita reflexão.

Portanto, atitudes e emoções pesam mais que o enredo. Muitas vezes o narrador interfere na história para conversar com o leitor, debater, opinar, esclarecer. Com isso a impressão que fica no final é de que a história nos foi contada por alguém.

Muitos alunos, quando lêem Machado, não entendem a história, simplesmente porque ele rompe com a narrativa cronológica, linear, ora começando pelo fim, ora pelo meio, além  dos cortes para alguma reflexão ou conversa com o leitor, como foi  citado mais acima.

Os temas de suas obras são freqüentemente: conceitos morais, a transitoridade da vida, o humano e a contradição entre aparência e essência.

Machado já foi retratado como personagem no cinema, interpretado por Jaime Santos no filme " Vendaval Maravilhoso" e Ludy Martins no filme "Brasília 18%". Teve também sua efígie impressa numa nota de NCz$1,00 ( um cruzado novo).

Teve muitas obras adaptadas para a TV e cinema.

           " Todos vós que tendes sede, vinde às águas" ( Isaías,55:1)

                                                   (Quincas Borba)

 

Textos de Machado na internet:

www.machadodeassis.org.br

www.bibvirt.futuro.usp.br

www.literaturabrasileira.ufsc.br

www.machadodeassis.net/dtb_index.asp

 

 

 

 



Escrito por geppi às 00h03
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Ensino com "C"?

Ensino com "C" ?

Parece brincadeira mas aconteceu. A Secretaria Estadual de Educação distribuiu apostilas aos professores com erros de português.

No caderno de inglês estava grafado "encino". Todos sabemos do acordo ortográfico que vigorará a partir do próximo ano, as mudanças se referem à regras de acentuação e não à troca de letras.

A Secretaria alegou problema de digitação. Somos compreensíveis.

Afinal, todos cometemos erros. Alguns erram na hora de votar, outros "esquecem" de pagar alguma dívida.

Conheço um professor que ensinou regra de três de uma forma tão diferente que foi acusado de ter feito faculdade a distância. Mas provou que estava certo.

Há pessoas que não perdoam erros e há outras que erram mas não admitem o erro ou falam que foi apenas um "deslize". Existem aquelas que sempre erram.

O que é raríssimo é quem não comete erros, nem sei se existe essa espécie.

Mas o erro mais grave é não errar.  A aprendizagem efetivamente acontece quando você analisa seu erro e promete nunca mais errar.

 



Escrito por geppi às 14h26
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O Enterro de Machado de Assis

O Enterro de Machado de Assis

 

"Logo depois do falecimento, que se deu às 3h45

da madrugada de 29 de setembro, com a assistência

do dr. Artur Andrade, foi o corpo colocado na sala

da frente. Mais tarde os doutores Afrânio Peixoto

e Alfredo de Andrade prepararam o cadáver com

formol, a fim de ser conservado até o dia do enterro.

Às sete e meia da noite transportou-se o caixão para

o edifício do Silogeu Brasileiro, armada a sala da

     secretaria em câmara ardente.

 

Por enquanto há um morto ilustre, e pairando sobre

o caixão, acompanhando a carreta do Ministério da

Guerra, puxada pelos alunos das escolas superiores,

o seu fantasma incerto, projetado no tempo, colcha

de retalhos na memória dos vivos, segue passo a

        passo o cortejo fúnebre."

                                        ( Augusto Meyer)



Escrito por geppi às 12h32
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Oficina da Palavra

Oficina da Palavra

"Aqui tudo se acumulou.

Esta é a Rua Lopes Chaves,546, outrora 108."

      ( Carlos Drummond de Andrade)

 

Na Lopes Chaves, 546 - Barra Funda, antiga casa do escritor e intelectual Mário de Andrade ( 1893-1945) acontece, desde 1990, a Oficina da Palavra, voltada ao texto e à literatura.

Os projetos abordam diversos gêneros literários como conto, romance, poesia, dramaturgia, somados a palestras, recitais, mostras de filmes e  lançamentos de livros.

Já passaram por lá Marcos Rey, Lygia Fagundes Telles, João Cabral de Melo Neto, José Simão, entre muitos outros.

A Casa funciona de segunda a sexta-feira das 12h às 22h e aos sábados das 9h às 14h.  O acesso mais fácil é o metrô Marechal Deodoro ou Barra Funda/Palmeiras.

                                                             

" Quando eu morrer quero ficar

Não contem aos meus amigos,

Sepultado em minha cidade,

Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,

No Paissandu deixem meu sexo,

Na Lopes Chaves a cabeça,

Esqueçam."

                           ( Mário de Andrade)



Escrito por geppi às 01h58
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O Incômodo do Telefone Celular

O Incômodo do Telefone Celular

Creio que minha tolerância está chegando a zero quando o assunto é "celular".

Estive ontem no banco Nossa Caixa/ Anhangabaú para conversar com a gerente. Não podia ficar esperando muito porque tinha compromisso: meus alunos.

O rapaz de óculos que fica naquela porta em que todo o mundo pára, gentilmente me levou até a gerente. Ofereceram-me uma poltrona para eu descansar enquanto um cliente estava sendo atendido. Era um senhor gordo, cabelos grisalhos, com ar de acionista do banco ( era só o ar mesmo).

De repente, este senhor atende ao telefone celular e começa a falar alto, gesticulando como se estivesse ensaiando uma comédia ou opereta. Chegava a retorcer-se na poltrona, parecia algo meio diabólico. A bondosa gerente, meio assustada, estende o braço segurando um papel para que o falante assinasse, mas o braço ia pra lá e pra cá. Nada do distinto cavalheiro (?) dar atenção à pobre moça.

Minha paciência chegando ao fim. Todos que estavam próximos ao malabarista assistiam ao teatro, e o personagem sequer se preocupava com a platéia. Curioso foi o modo dele falar os verbos, só usava o futuro do presente do indicativo. Assim: mandarei sim , estarei hoje de plantão, não chegarei atrasado, atenderei sim, comprarei o que falta...

Pensei que fosse um papo informal mas pelo tempo verbal empregado fiquei na dúvida. Poderia estar falando com o Presidente! Enganei-me, algumas vezes ele falava: ó cara! se liga, meu!

Comecei a imaginar como deve ser uma pessoa que usa o futuro do presente assim, sem necessidade, em se tratando de uma conversa entre amigos. Uma pessoa pernóstica? Alguém que assiste a filme de terror? Ou que não sabe conjugar o verbo respeitar em todos os tempos e modos?

Por que será que as pessoas falam alto, quase gritando ao celular e contam toda a sua vida e  a dos outros também, nos ônibus, calçadas, escolas, hospitais,etc. Será um tipo de carência ou necessidade de tratamento psicológico?

Como queria saber...



Escrito por geppi às 00h07
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EJA - Uma Paixão

EJA - Uma Paixão

A sigla EJA significa Educação de Jovens e Adultos, o antigo Supletivo. Atingir os píncaros da glória no que tange ao processo  ensino-aprendizagem é ter a oportunidade de trabalhar com esse alunos. Graças a Deus, tenho esse privilégio.

Penso que EJA deveria ser Exaltação de Jovens Atletas porque exaltação vem do verbo exaltar que significa tornar(-se) sublime, grandioso, atingir o mais alto grau de intensidade ou energia. Jovens são aqueles que não vivem pensando na velhice e Atletas aqueles que lutam pelo pódio. Vale para professor e aluno.

O aluno de EJA é de uma magnitude impressionante ( vale a redundância). Muitos deixam a tranqüilidade da casa, TV, depois de um dia exaustivo, para buscarem aquilo que na maioria das vezes lhe foi negado em outros tempos. Vale lembrar que a Educação neste país foi elitista.

Trabalhar com esses alunos é ter o coração aberto para partilhar emoções. Falo de alunos do ensino fundamental ( de 5ª a 8ª série). Mudaram o nome, não é mais série, agora é etapa ( 3ª e 4ª etapa). Não gosto da palavra etapa. Soa-me como distância.

Outro dia, o Joaquim, aluno da 3ª etapa, ria muito enquanto lia uma crônica de Luís Fernando Veríssimo e me disse que se identificou com" Vidas Secas" de Graciliano Ramos. Antes das férias levou " As Mil e Uma Noites".

A Eva achava que nunca mais ia aprender, tinha até vergonha, mas diz que quando vê o portão da escola sabe o que é felicidade. Damião quer aprender tudo. Nunca se cansa. Diz que adora estudar. O Serlinho até começou a escrever letras de música. Temos a mania de nas aulas de leitura formarmos um trio, Serlinho , Damião e eu. Só música do passado. Ninguém reclama se desafinamos. São educados mesmo.

Benedito sempre acerta tudo. Foi o primeiro a trazer uma receita para um trabalho. Era uma receita com medalhões. Ele disse que a receita era meio sofisticada. Janiara nem pisca durante as explicações. Fica nervosa quando erra algum exercício. A Fátima passou a ser exigente até na letra.

A Marlene já visitou  meu blog, terminou um curso no SENAC de tão entusiasmada que ficou depois de ter voltado a estudar.

Maria de Lourdes coloca até forro na carteira para não sujar os cadernos e manter a limpeza da escola. Sempre traz uma "pegadinha" de língua portuguesa para dirimir dúvidas. Outro dia queria saber se a mulher tem de falar sempre "obrigada". É uma leitora voraz da Bíblia. Aproveito, Maria de Lourdes,  e digo obrigado pelo bolo que recebi.

Malvina, com seus cabelos ainda não tão brancos como a neve que já cobre os meus, produz textos e sempre, antes de entregar, faz a refacção.

O Rafa só pensa em teatro. Tem mania de ler Oscar Wilde. É o monitor de teatro da classe. Ele tem até um jeito do Pequeno Príncipe.

Denise, a irreverente, só pergunta. É avida em saber. Participa também do teatro e escreve muito bem. Já aprendeu a diferença do "mas" e "mais". Já pensa em faculdade. Sabe muito de computador e logo, logo virá me visitar aqui. É muito bom conversar com ela.

Mailson escreve prosa como se fosse poesia. Tem um bom domínio da língua e percebo que escreve brincando com as palavras. Ele é amigo íntimo da análise morfológica. Renata, quando falta, recupera tudo no dia seguinte. Parece que brinca mas leva a sério mesmo.

Quantas Marias e Joões para citar, são muitas histórias que aos poucos enfeitarão este espaço. Preocupo-me com aquele chavão: pecar por omissão. Então, paro por aqui.

Se naquela música choravam Clarices e Marias, aqui elas são independentes. Riem da esperança que encontraram.

Assim é o curso de EJA na EMEF General Vicente de Paulo Dale Coutinho, localizada na periferia da Capital e acredito que em todas as outras  escolas o trabalho seja semelhante.

Sempre gosto de abrir parênteses quando ouço alguma música enquanto escrevo, a música vem do apartamento do meu vizinho. Ele vive no passado ou do passado. De Chico Buarque, Carolina. Se houver alguma crítica do que vou  falar mais no final, a culpa é somente dele.

Tenho uma inquietação que precisa ser amenizada por algum especialista de educação que  trabalhe na SME ( Secretaria Municipal de Educação). Conheço pessoas sérias que trabalham nesta Secretaria.

Por que vocês diminuíram a grade curricular de todas as disciplinas e colocaram no lugar a famigerada OE? Para quem não sabe, OE (Orientação de Estudo) é um tipo de aula em que o professor corre ao mesmo tempo em duas ou três salas. ( Azar das academias de ginástica!).  Nas OEs, a freqüência é facultativa ( isso se chama retrocesso, do jeito que está é).

Como será a atribuição de aulas para 2009? Se penso...até desisto.

Façam uma pesquisa com os alunos, eles até mudaram o nome de OE para AUÊ! Voltem com a antiga " grade". Ponderem.   

Desculpem o auê mas vejo muitas Carolinas na SME.    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                  



Escrito por geppi às 01h00
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Chorar ou Rir?

Chorar ou Rir?

José Gomes, 20 anos como vereador em Cumaru/PE, foi "afrontado" com um teste de conhecimentos do Ministério Público Eleitoral. O resultado foi interessante: analfabetismo!

José disse que o texto era muito complicado para a sua cabeça, uma matéria sobre o aumento do feijão no Brasil.

O edil, aos 66 anos e com receio que lhe aplicassem uma prova mais difícil decidiu: " Vou deixar a política para lá."

" Ele só precisava ler e mostrar que compreendeu o que estava escrito", afirmou o promotor que lhe aplicou o teste.

Imaginem vocês se a moda pega. Vai ser uma limpeza...

Pensando bem, se existe concurso público para servidores, por que não aplicá-lo também aos vereadores?  Quem sabe até prefeitos...

 



Escrito por geppi às 00h20
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